Review de Smash: musical com temas adultos e que tem tudo para ser um estouro!
A NBC está investindo forte na divulgação de Smash, e não é à toa. A série tem tudo para ser um estouro e mostrou, em apenas um episódio, que pode ser a salvação do canal para esta midseason. Com um roteiro bem amarrado, agilidade na narrativa e várias ótimas interpretações, é uma série que vale a pena investir um bom tempo (e no caso da emissora, um bom dinheiro).
Se você lê a palavra musical e já se lembra de Glee, pode mudar os seus conceitos. Smash aproveitou a abertura dada pela série adolescente para este tipo de história, mas a ligação entre as duas termina aí. A criação da série fica a cargo de Theresa Rebeck, uma veterana que escreveu várias peças de teatro como Hairspray e Chicago, e a produção é de Steven Spielberg.
A review a seguir está recheada de spoilers, portanto, caso você não queira saber mais sobre a nova série antes de assisti-la, é melhor parar a leitura.

Smash mostra a criação de uma peça da Broadway, que tem Marilyn Monroe como personagem principal. Portanto, nada mais importante que encontrar a atriz/cantora perfeita para interpretá-la nos teatros.
É ali que entram Karen (vivida por Katharina McPhee) e Ivy (Megan Hilty), duas mulheres com personalidades e vidas diferentes. Enquanto Karen é uma aspirante que ainda trabalha como garçonete e não possui muita experiência, Ivy já está no mundo do showbiss há muito tempo, possui os mesmos atributos físicos de Marilyn e encontra no papel a chance de sair de coadjuvantes para se tornar a estrela do show.
Enquanto isso, acompanhamos também o processo criativo dos roteiristas e criadores das músicas Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle), suas relações com a família e com o diretor homofóbico Derek Wills (Jack Davenport). Além disso, rapidamente somos apresentados à situação de Eileen Rand (Anjelica Houston) a produtora que está se divorciando do marido e, portanto, está com seus bens embargados.

Agilidade na apresentação dos personagens
Em pouco mais de 40 minutos, tempo de duração do piloto, somos apresentados a todos estes personagens de forma orgânica, ou seja, reconhecendo em cada um deles falhas e vantagens que serão desenvolvidas nos próximos episódios. Sem a necessidade de “enrolar”, já reconhecemos falhas de caráter e começamos a nos identificar com cada um deles.
O mais interessante, no entanto, é perceber que não parece haver um “vilão” ou uma pessoa boazinha neste meio. Cada um é retratado com qualidades e defeitos, enquanto a dificuldade em se montar uma produção musical do gênero é mostrada. Ivy, por exemplo, é mais uma atriz à procura de sua grande chance, e não a mulher má que busca o lugar de direito de Karen.
É fato que Ivy, por exemplo, possui os atributos físicos de Marilyn, dos cabelos louros aos seios fartos. Enquanto isso, Karen possui o carisma e o frescor de uma estreante, e pode ser uma opção arriscada, porém mais sucedida, pois diferencia a produção das demais. Isso faz com que a série fique ainda mais interessante, uma vez que o rumo da produção se torna bastante imprevisível e, consequentemente, a narrativa fica mais interessante.

Enquanto isso, temos Derek, o diretor, uma pessoa que mostra ser bastante competente e, ao mesmo tempo, intragável. Claro, mais um personagem que certamente vai trazer várias oportunidades de história para a série. Ao final do episódio vemos cenas dos próximos capítulos, em que reconhecendo Derek e Ivy juntos, na cama, o que deve trazer muito drama para a produção.
Outra história de destaque é a de Julia, que ao mesmo tempo em que busca a adoção de uma criança, acaba se apaixonando pela história de Marilyn e pela criação de um musical da vida da atriz. Isso certamente vai trazer problemas para a sua vida pessoal, mais um arco que pode prender o espectador da série.
Música na hora certa
Outra qualidade de Smash está na forma de trazer a parte musical para a narrativa, afinal, a série está lidando com a produção de algo que será encenado na Broadway. Dessa maneira, é muito mais simples inserir uma canção inteira no meio da narrativa sem que isso soe falso ou fora de contexto.
Certamente vale a pena destacar a “audição” de Derek para Julia e Tom, que mescla cenas no estúdio de dança (mais cruas) com cenas já no palco (com figurino, luzes e tudo pronto). Ao mesmo tempo que cria uma cena lindamente montada e editada, também mostra qual é o potencial visto por Julia e Tom na montagem de Derek, justificando a aceitação deste como diretor.
Mesmo as cenas musicais em que as Karen e Ivy cantam no meio da rua, por exemplo, agregam à série marcando a passagem de tempo em que ambas saem de suas casas e chegam até a segunda audição.
Outra cena marcante e que apresenta o tom da série acontece logo no início do episódio piloto, quando Karen está no centro de um palco cantando “Somewhere Over the Rainbow”. Poucos segundos depois, descobrimos que ela está em uma audição, sendo inclusive interrompida no meio de sua performance.
Vale a pena destacar que em Smash temos tanto canções originais quanto conhecidas. Além de “Somewhere Over the Rainbow”, também assistimos Karen cantar Beautiful, de Christina Aguilera, durante o piloto. As músicas originais, como aquelas que fazem parte do musical, são escritas por Marc Shaiman e Scott Wittman (já veteranos no ramo). O que incomodou
Claro que nem tudo são flores na terra de Smash, afinal, nenhuma série consegue ser perfeita em todos os aspectos. A relação de Karen e Dev (Raza Jaffrey), seu namorado, por exemplo, ainda é perfeita demais, chegando a ser irritante em algumas cenas.
O conhecimento de Dev em relação à Marilyn e a forma com que comenta sobre a vida da atriz (“ela era amor, mostre o amor”) soam piegas, assim como a relação perfeita do casal. Quando Karen recebe uma ligação de Derek no meio da noite pedindo para que ela vá ao apartamento do diretor, algo bastante suspeito (e que poderia ter chegado às “vias de fato”), não testemunhamos nenhum tipo de conflitos entre os dois.
Claro, a tendência é que essa relação se deteriore com o passar dos episódios, ainda mais quando Karen estiver ocupada com o musical. De forma nenhuma essa questão tira os méritos da série, mas é algo que salta aos olhos durante o episódio piloto.
Vale a pena?
Deixe seus preconceitos em relação a musicais e dê uma chance para Smash se você procura um bom drama para assistir nesta midseason. Personagens bem construídos, uma história com vários arcos que podem ser desenvolvidos, conflitos inteligentes e sem fácil resolução e ótimas músicas certamente valem pelo menos uma olhada no piloto do musical. Se você tem curiosidade para saber mais sobre os bastidores da Broadway, Smash também pode agradar bastante.

Apesar de já estar disponível para downloads no iTunes, a série só estreia na NBC no dia 06 de fevereiro, ou seja, é preciso esperar para ver se os números serão compatíveis com todas as críticas positivas em relação à série. Em uma cultura que sempre adorou e deu valor aos musicais, Smash tem tudo para se tornar um sucesso.
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