Suburgatory: viver no subúrbio pode ser divertido, comprova a nova série da ABC

  • Por Beatriz Portella Smaal em 30/09/2011 - 13:36

Boa parte das comédias estreantes do Fall Season retornam ao estilo clássico, gravadas ao vivo e com risadas ao fundo. O estilo sitcom de New Girl, Whitneye 2 Broke Girls não deixa de ser interessante, porém é possível fazer comédia de uma forma diferente.

A série Suburgatory chega como uma opção diferente para o público, usando de um humor mais ácido e cínico para retratar o mundo suburbano dos Estados Unidos. Confira a seguir o que achamos da nova série, que tem tudo para ser a grande surpresa da temporada.

Suburgatory retrata a vida de Tessa Altman, uma adolescente da cidade grande que é obrigada a morar no subúrbio quando seu pai, chamado George, encontra camisinhas escondidas em sua gaveta. O objetivo de George é tentar dar uma vida melhor para a filha, que foi abandonada pela mãe logo após o nascimento, mas parece que Tessa não compartilha do mesmo sentimento pela cidade.

O episódio piloto é extremamente rápido em mostrar a transição da vida antiga para a nova, sem perder tempo em apresentar detalhes de como tudo aconteceu. Apenas um mapa e um jogo interessante de cena, carregando e descarregando o caminhão, marca a mudança da garota para o subúrbio/purgatório.

Os acontecimentos são todos narrados pela própria Tessa, mostrando ao expectador exatamente o que ela pensa conforme as situações ocorrem. Isso é uma ferramenta interessante da série, já que a personagem é retratada como quieta, porém sua cabeça “fervilha” de piadas e comentários sobre cada um dos cidadãos da nova cidade.

A comédia por estereótipos

Para trazer a comédia para o público, Suburgatory abusa de estereótipos, exagerando-os ainda mais aos olhos da nova-iorquina recém-chegada. Garotas com quartos inteiramente rosas, mandando mensagens de texto até mesmo quando caem em uma piscina, atletas bobalhões e mulheres de Stepford fazem parte da comunidade.

Enquanto esse tipo de comédia não agrada algumas pessoas, que podem preferir opções mais leves como New Girl,outras podem se identificar com a visão cínica de Tessa a respeito de seus vizinhos. É essa visão e o preconceito de Tessa que leva a várias situações divertidas, como a ótima cena no provador da loja.

Conforme o episódio segue, é possível perceber que as coisas não são tão bonitas e coloridas como parecem, exatamente como em qualquer comunidade. Ao final, ainda percebemos que Tessa sente falta de várias coisas, entre elas de uma mãe capaz de trazer um presente que o pai nunca iria comprar.

Mas não é apenas Tessa que precisa entender como funciona a cidade. George também passa por situações divertidas, ainda mais sendo o novo solteirão daquele lugar. Além de lidar com a indignação da filha pela mudança, ele também precisa se adaptar ao lugar, conseguindo novos trabalhos e socializando com vizinhos.

Claro, ainda temos inúmeras piadas forçadas, como a da garota caindo na piscina com o celular. Porém, no geral a série traz mais piadas interessantes do que pastelão, o que é uma ótima notícia.

O grande destaque

Tanto Jane Levy quanto Jeremy Sisto são convincentes em seus papéis de filha e pai da grande cidade que chegam ao subúrbio, porém o destaque fica mesmo por conta de Ceryl Hines, no papel da mãe de Dalia e primeira pessoa a contratar os serviços de George.

É exatamente ela que, com sutileza, começa a quebrar os estereótipos da série, mostrando que há muito mais conteúdo por traz de uma aparência que lembra mais a Barbie do que qualquer outra coisa.

Claro, ela não deixa de ser fútil e um pouco abusada demais. Porém, é ela que dá o melhor conselho para George sobre a história da camisinha na gaveta e ainda presenteia Tessa com um lindo sutiã.

Inclusive, o sutiã é representativo das nuances da história, uma ótima maneira de ver como Suburgatory consegue juntar o cinismo ao emocional. Ao dar o sutiã rosa e rendado para Tessa, ela mostra que a garota pode crescer e se desenvolver de uma maneira mais bonita, aumentando sua alto-estima.

Ao mesmo tempo, o presente aponta para o fato de que a garota sente falta de uma mãe, capaz de lhe dar o que ela não pode conseguir com o pai. Tessa acha o sutiã a peça mais bonita de seu guarda-roupa, o que leva o expectador a concluir que o preconceito vai ruir, e que ela pode muito bem se adaptar ali, apesar dos exageros e adversidades.

Vale a pena!

Apesar de ser uma comédia, a série traz muito mais do que apenas piadas prontas e risadas ao fundo. Assim comoCommunity, Suburgatory é uma série diferente, que vale a pena prestar atenção.

Claro, ainda estamos falando do primeiro episódio da temporada, o que quer dizer que a série pode tanto melhorar quanto piorar no decorrer das próximas semanas. O que é importante comentar é que a série estreou muito bem em termos de números, abocanhando quase 10 milhões de expectadores e 3.3 milhões na demo.

Balanceando estereótipos, cinismo, boa comédia e identificação com os personagens, Suburgatory é a série que pode surpreender nessa Fall Season, sendo rapidamente renovada caso continue com ótimos números de audiência.

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