É notável que a forma como assistimos à televisão tem mudado muito nos últimos anos. Para começar, nem sempre é, de fato, um aparelho televisivo: usamos notebooks, tables, celulares... Um estudo divulgado pela empresa de investimentos Morgan Stanley mostrou o que mais tem se transformado na maneira como os estadunidenses assistem TV.

Televisões não: cresce o uso de aparelhos portáteis

Ao contrário do que se possa pensar, a quantidade de horas assistindo a programas de televisão não diminuiu: é a maior em 4 anos! Os espectadores passam em média 23 horas semanais em frente à telinha, uma hora a mais do que no ano passado.

Mas nem sempre é um aparelho televisivo: foram considerados quaisquer outros aplicativos que permitam assistir a programas de TV. Aliás, enquanto o aparelho convencional perdeu 1% de espectadores em relação ao ano passado, os mecanismos portáteis (smartphones, tablets, computadores) tiveram a popularidade aumentada em pelo menos 1,2%.

Entre os jovens, a popularidade da televisão cai cada vez mais. Mas mesmo entre os espectadores mais velhos (acima de 45 anos) — os que mais assistem a programas no aparelho convencional —, o uso de aparelhos alternativos para assistir TV vem crescendo. Foi registrado um aumento de 106% nos últimos 4 anos! No geral, o uso para ver programas aumentou em 36% (num total de 8 horas); enquanto a TV teve uma diminuição de 7%.

Isso interfere diretamente em outro fator: tem diminuído o velho momento de reunir a família em frente à televisão para assistir a algum programa. O estudo registrou um grande crescimento de espectadores na categoria "no caminho"; isto é, não em casa, mas em meio de transportes ou lugares de espera.

Dentre as pessoas que declaram assistir à programação principalmente "no caminho", o número também aumentou: 11% do total de dados, contra 9% do ano passado. Apesar de estar perdendo espaço, o "lar doce lar" ainda é o favorito dos espectadores para assistir TV: 83% preferem se entreter em casa.

Apesar de parecer pouco, essas mudanças são bastante significativas por considerarem um período tão curto de tempo. Afinal, elas exigem mudanças dos produtores de conteúdo para se adaptarem ao novo mercado. E a gente sabe que a Netflix só cresce.

Serviços de streaming, um novo formato

Mas chega de falar dos estadunidenses. Por mais que eles reflitam tendências que acontecem no mundo todo, existem particularidades. Por exemplo, a Netflix registra um número de 60 milhões de espectadores: mas o total global é o dobro disso.

No Brasil, a TV a cabo ainda lidera: 47% dos brasileiros assinam o serviço. Mas a TV por satélite tem perdido muito espaço: enquanto 21% da população ainda usam o serviço, 23% já preferem o serviço de streaming. Na verdade, somos os mais conectados da América Latna, que ainda tem 56% de preferência pela TV a cabo. Inclusive, brasileiros e chilenos são os povos que mais falam de cancelar esses serviços e ficar apenas com as plataformas de streaming. Para assistir o quê? Principalmente filmes (89%), séries (54%) e documentários (42%). Porém, um dado se mantém padrão em todo mundo: são os mais jovens (entre 15 e 34 anos) que lideram o consumo de serviços não convencionais.

Outro dado surpreende: os brasileiros recebem mais anúncios durante a programação do que o resto do mundo. E, surpreendentemente, não consideram isso um incômodo: 62% dos entrevistados pelo mundo acham que anúncios durante e após a programação causam distração, mas somente 51% dos brasileiros acham isso.

Um fato é certo: estamos mudando a forma como assistimos à televisão, e não só as novas gerações — todo o público. E as emissoras e produtoras de conteúdo terão que se adaptar a isso.

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.