Às vésperas do anúncio oficial da programação de filmes do Festival de Cannes, que aconteceu na quinta-feira (12), Ted Sarandos anunciou em entrevista à Variety que a Netflix não participaria do evento. Para o diretor de conteúdo da plataforma de streaming, o festival teria mandado uma mensagem clara ao estabelecer uma nova regra que determina que filmes que não passarem nos cinemas da França não poderão participar da competição.

Pouco antes da declaração de Ted Sarandos ainda havia dúvida sobre se a Netflix participaria ou não do festival. Os filmes que poderiam ser exibidos na competição neste ano eram Roma, de Alfonso Cuarón, Hold the Dark, de Jeremy Saulnier, Outlaw King, de David MacKenzie (estrelado por Chris Pine) e The Other Side Of The Wind, de Orson Welles.

No ano passado, a Netflix teve um bom desempenho no Festival de Cannes com dois filmes originais que foram exibidos na competição: Okja e Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe. Isso, porém, causou a revolta de donos de cinemas e sindicatos franceses, que protestaram contra a inclusão desses filmes ao diretor artístico de Cannes, Thierry Fremaux. Diante disso, a Netflix concordou em exibir os longas no cinema, mas uma lei no país exige que os eles sejam exibidos em plataformas domésticas apenas 36 meses depois de seu lançamento nas telonas, o que seria impossível para o serviço de streaming. “A regra foi feita implicitamente para a Netflix, e Thierry deixou isso explícito quando a anunciou”, afirmou.

A Netflix poderia, então, exibir seus filmes fora da competição, mas, de acordo com Sarandos, isso não faz sentido: “Nós queremos que nossos filmes estejam em igualdade com os outros cineastas. Existe a chance de irmos até lá e termos nossos filmes e cineastas tratados com desrespeito no festival. Eles deram o tom. Eu não acho que seria bom para nós se fôssemos para lá”. O diretor de conteúdo não vai comparecer ao evento, mas alguns de seus executivos vão para conhecer e potencialmente comprar filmes que serão exibidos fora da competição.

Apesar de tudo, Sarandos acredita que o Festival de Cannes possa mudar essa regra no futuro: “Eu tenho fé que Thierry tem o mesmo amor pelo cinema que eu e que seria um defensor da mudança quando percebesse o quão punitiva é essa regra para cineastas e amantes do cinema”. “Quando anunciou essa mudança, Thierry comentou que a história da internet e a história de Cannes são duas coisas diferentes. É claro que são, mas nós escolhemos estar ao lado do futuro do cinema. Se Cannes vai escolher ficar preso na história do cinema, tudo bem”, completou.

Este texto foi escrito por Juliana de Carvalho Pereira via n-Experts.