Santa Clarita Diet está longe de ser uma unanimidade no catálogo da Netflix. As cenas pouco convencionais (e um tanto quanto nojentas, é verdade) protagonizadas por Drew Barrymore, que interpreta uma morta-viva, dividiram opiniões e fizeram muita gente abandonar a série antes do fim da primeira temporada. Apesar disso, há também quem tenha conseguido enxergar o que a atração tem de leve e divertido.

Para ajudar você a decidir se vale a pena seguir adiante com a segunda temporada, lançada há pouco pela Netflix, selecionamos trechos de uma entrevista de Victor Fresco, produtor executivo da série, ao The Hollywood Reporter. Nela, Fresco fala sobre a origem da transformação de Sheila (Barrymore), o que esperar de uma possível terceira temporada e a ideia de a série funcionar como uma espécie de alento para encarar o clima político, que anda pesado dentro e fora dos Estados Unidos.

A origem da transformação de Sheila (com um pequeno spoiler)

Quem assistiu à primeira temporada completa de Santa Clarita Diet certamente ficou com uma pergunta sem resposta: afinal, qual é a origem da transformação que fez com que Sheila Hammond (Drew Barrymore) virasse uma morta-viva?

A segunda temporada tenta esclarecer esse detalhe e dá a entender que Sheila contraiu um vírus num restaurante, comendo uma espécie de mexilhão contaminado – referência que aparece no começo da primeira temporada. “É uma comédia, né? Achei que seria engraçado”, disse Fresco. “Acho que, melhor do que arrumar uma desculpa muito elaborada, [a história do mexilhão] não deixa de representar como pequenas coisas geram grandes reviravoltas em nossas vidas”.

Segunda temporada ajuda a entender a história

Além de dar pistas sobre a origem do vírus, Fresco conta que a segunda temporada tenta ajudar o espectador a entender a história. Para isso, os episódios estão centrados em questões sobre quem, além de Sheila, pode ter comido os mexilhões e como impedir que essa reação em cadeia se espalhe. Mais uma vez, o produtor executivo reforça que a graça está nos detalhes: “Gosto dessa simplicidade, do ‘Ah, não?!’ de quem só percebe as coisas e liga os fatos depois”, disse.

Terceira temporada: sim ou não?

Fresco diz que estender o enredo não é problema, afinal sempre existe a possibilidade de renovar o fôlego de uma história e aproveitar os ganchos deixados para trás, mas o que mais importa ainda não foi confirmado: a renovação do contrato com a Netflix. “Voltamos aos trabalhos e estamos de dedos cruzados. Não temos qualquer informação sobre o desempenho da série, então contamos com a sorte”, revelou.

A Netflix não divulga números sobre o desempenho de suas produções, o que aumenta o mistério sobre a renovação ou o cancelamento dos títulos produzidos pela empresa. A depender da recepção morna da produção – ao menos no Brasil –, o futuro é incerto.

O viés político de Santa Clarita Diet

Victor Fresco revelou que Santa Clarita Diet tocou as pessoas de um jeito que não esperava. Na percepção do produtor, os espectadores não encararam a série só como algo absolutamente absurdo e descompromissado com a realidade, mas como uma história de esperança e resistência.

“Acho que, nos Estados Unidos de hoje, há uma quantidade imensa de pessoas que acordam deprimidas – e com razão –, mas acho que também há esperança. A família Hammond acaba representando um pouco disso, afinal todos ali lidaram muito bem com as reviravoltas da história e sabem que têm uns aos outros. Acho que há um paralelo aí com a nossa cultura”, disse Fresco.

E você, vai assistir à segunda temporada de Santa Clarita Diet? A dica, pelo visto, é curtir os episódios sem a expectativa de encontrar respostas muito concretas, aberto a rir dos absurdos e das aventuras de Sheila Hammond e sua família.

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez Paredes via n-Experts.