Mesmo a Netflix se firmando como uma mais das maiores produtoras de conteúdo para a TV, é com investimento em tecnologia que ela mais se preocupa e, por isso, se tornou a gigante dos streamings. A companhia investe em mais pesquisas na área de TI do que suas concorrentes, sempre visando entregar uma transmissão perfeita para os usuários.

Muito disso acontece nos bastidores, e nós nem ficamos sabendo, mas recentemente a Netlix convidou jornalistas de todo o mundo para conhecer seus escritórios em Hollywood e em Los Gatos, ambos na Califórnia, para mostrar um pouco desse trabalho tecnológico.

Veja alguns detalhes divulgados pela empresa que mostram o quão avançadas são as operações de tecnologia da Netflix.

A Netflix tem sua própria torre de celulares

A Netflix quer testar seu próprio aplicativo em todo o mundo e em todos os celulares, sob diversas condições possíveis. Por isso, a empresa tem seis torres de celulares em seu escritório em Los Gatos.

O equipamento da torre de celular está alojado em um laboratório de dispositivos móveis, onde é acompanhado por uma série de caixas que podem armazenar dezenas de dispositivos móveis e emular certas condições de celulares ou WiFi de diversos países. "Nós podemos fazer uma caixa e simular como será a transmissão na Índia ou na Holanda", explicou Scott Ryder, diretor de streaming por mobile da Netflix. Ao todo, a Netflix executa mais de 125 mil testes todos os dias.

O botão da Netflix é levado a sério

Anos atrás, quando a Netflix começou a oferecer seu aplicativo para televisões smart e outros dispositivos, a empresa negociou com os fabricantes a inclusão de um botão com a logomarca da Netflix em seus controles remotos. Esse botão é um belo case de sucesso. Os consumidores que têm o botão no controle remoto usam muito mais o serviço. Além disso, a maioria das TVs de hoje vêm com o botão da empresa em vez de botões da concorrência.

A Netflix recodificou todo o seu catálogo

Para otimizar os vídeos para visualizações em dispositivos móveis, a Netflix recodificou recentemente todo o seu catálogo por cena. Uma cena de ação em uma série pode ser transmitida a uma taxa de bits maior do que uma cena com de diálogos mais parados, por exemplo, e os usuários com banda limitada (como quando estão conectados no 4G) acabam economizando dados. Há alguns anos, 4 GB de dados móveis teriam cerca de 10 horas de vídeo da Netflix. Agora, os usuários podem assistir até 26 horas enquanto consomem a mesma quantidade de dados.

A Netflix já codificou seu catálogo completo por título, o que permitiu transmitir séries animadas em taxas de bits muito menores do que filmes de ação com muita complexidade visual.

A Netflix quase nunca sai do ar

O serviço da Netflix tem uma taxa de estabilidade de 99,97%. Ou seja, o serviço quase nunca cai. Parte disso se deve ao fato de a Netflix ter aprendido a corrigir as interrupões ao longo do tempo e agora usar os centros de dados AWS (uma plataforma de serviços de computação em nuvem), da Amazon, em três regiões. Quando o sinal de uma dessas regiões desaparece ou fica instável, a Netflix redireciona todo seu tráfego para as outras duas regiões.

A própria Netflix derruba alguma dessas regiões de propósito, apenas para saber como agir em caso de instabilidades no serviço, algo que a empresa chama de "engenharia do caos". Até pouco tempo atrás, a Netflix levava até 1 hora para redirecionar com sucesso todas as solicitações em caso de falha. Mais recentemente, ela conseguiu reduzir esse tempo para menos de 10 minutos.

A Netflix te conhece melhor do que você mesmo

A Netflix faz diversos testes online para verificar o perfil dos seus usuários, mas também realiza milhares de entrevistas pessoalmente, tanto com usuários que já utilizam o serviço quanto com pessoas que ainda não fizeram uma assinatura. O problema é que, às vezes, os consumidores não contam à Netflix o que eles realmente querem.

Um exemplo: durante essas entrevistas, a maioria dos consumidores nos EUA disseram preferir assistir às produções estrangeiras com legendas em inglês e aúdio original. No entanto, a Netflix não tinha tanta certeza se isso era verdade. Assim, eles transmitiram uma versão dublada da série francesa Marseille para uma parte do grupo de espectadores, enquanto a outra parte recebeu o conteúdo com legendas em inglês e áudio original. Aqueles que viram a produção dublada foram mais propensos a terminar a série do que quem assistiu com legendas.

É por isso que o padrão da Netflix, agora, é exibir suas produções dubladas assim que você dá play. Os usuários que não gostarem podem mudar para o original, com legendas, a qualquer momento. Pelo visto, a estratégia parece ter sido aprovada, já que, independentemente do país em que a série é produzida, boa parte dos episódios do drama alemão Dark e da brasileira 3% são assistidos com áudio dublado nos EUA.

Este texto foi escrito por Rodrigo de Lorenzi via n-Experts.


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