Crítica: a beleza brutal de O Regresso, com Leonardo DiCaprio

  • Por Guilherme Haas em 15/01/2016 - 18:30

Em Birdman, filme vencedor do Oscar no ano passado, o diretor Alejandro G. Iñárritu teceu uma história sobre os bastidores da Broadway (e da cultura da fama nos Estados Unidos) com incrível habilidade, construindo toda a narrativa como um único plano-sequência. A impressão da ausência de cortes amplificou a tensão do enredo, acompanhando a jornada de loucura de um ator em uma peça de teatro.

Em O Regresso, Iñárritu volta a demonstrar técnicas incríveis de realização, deixando sua câmera rodar por longos planos entre batalhas, ataques de urso, perseguições a cavalo e outras adversidades de um mundo selvagem. O cineasta tem um olhar como poucos; o diretor cria enquadramentos belíssimos e impactantes, seja em sequências de ação, em imagens mais intimistas ou até mesmo simbólicas.

O longa começa com um ataque de nativos americanos a uma equipe de caçadores de pele e couro que exploram a região da Louisiana. Iñárritu passeia com sua câmera entre as entranhas desse confronto, estabelecendo em grandes planos todo o cenário da ação. Mesmo na brutalidade da guerra, o diretor registra cenas bonitas e de encher os olhos, deixando sua assinatura em cada frame.

A trama do filme é, na verdade, bastante simples: o enredo acompanha a busca de vingança do personagem Hugh Glass (uma figura real), que foi deixado para morrer por sua equipe depois de sofrer um violento ataque de um urso. Na pele do explorador, Leonardo DiCaprio passa por diversas adversidades ao longo da narrativa, e é a presença do astro – em um papel que deve finalmente lhe render o Oscar – que prende os espectadores nessa jornada.

Há uma perfeita sintonia entre a interpretação visceral de DiCaprio e as lentes de Iñárritu. Muito se falou sobre as dificuldades enfrentadas pela produção nos bastidores, incluindo rusgas entre o astro e seu diretor, mas como disse Iñárritu em seu recentemente agradecimento de vitória no Globo de Ouro: “o cansaço é temporário, já o filme fica para sempre”.

Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox

Certamente, O Regresso é uma obra máxima, um feito notável e uma realização cinematográfica incrível. É possível que a temática selvagem, com uma trama que se passa nos anos 1820 em um ambiente inóspito, possa assustar o grande público. O longa tem mesmo um acabamento mais artístico do que a maioria das produções, o que deve ser levado em conta pelos espectadores que cogiram pegar uma sessão. Quem assistir, porém, deve se deslumbrar com a técnica e com a beleza brutal de O Regresso.

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