Seguindo o sucesso de Vingadores: Era de Ultron nos cinemas, a Marvel muda completamente de escala para apresentar o menor herói da companhia – em tamanho, mas não em documento – com o Homem-Formiga.

A produção é certamente menor em termos de ambição e de aventura, com uma proposta muito diferente do que as obras anteriores do estúdio. Mas isso não significa que não tenha seus próprios méritos e desafios.

Homem-Formiga prova que tamanho não é documento. Fonte da imagem: Divulgação/Marvel Studios

Homem-Formiga funciona, em primeiro lugar, como uma história de origem de Scott Lang e seu mentor Hank Pym. A trama apresenta esses personagens, inserindo- os no Universo Marvel, e abre espaço ainda para uma nova dimensão (microcósmica) dessa diegese.

Não é pouco o que o roteiro precisa explicar ao público até embarcar de vez em sua aventura. Por conta disso, o longa-metragem tem muitas cenas introdutórias, especialmente no primeiro ato, que não fluem tão naturalmente na narrativa e que atrapalham um pouco o ritmo inicial do filme.

O roteiro precisa justificar as motivações dos personagens e imbuir a trama com emoção suficiente para manter os espectadores comprometidos com a história. Por isso, há uma necessária exposição sobre a relação de Scott com sua filha, que consome um tempo da narrativa.

Porém, depois que os personagens são apresentados e que as relações estão estabelecidas, o filme engrena. A estrutura principal da narrativa é, basicamente, a de uma trama de roubo, com uma equipe planejando a ação e reunindo os recursos necessários para completar a operação.

Quanto menor, melhor!

Nesse ato de roubo está outro desafio da narrativa: explicar o funcionamento do traje do Homem-Formiga, das partículas Pym e a comunicação com as formigas. Se nos quadrinhos acreditamos com mais facilidade nessas teorias, nos cinemas a crença com a história ocorre de maneira diferente – especialmente porque há um Universo Cinematográfico bem estabelecido com os fãs e que não poderia ser arruinado.

Felizmente, o filme acerta ao trabalhar com humor essa narrativa. O Homem-Formiga se insere com muito sucesso no mundo dos Vingadores e dos Guardiões da Galáxia. O segredo da Marvel é nunca levar seus filmes muito a sério e apostar na diversão e no entretenimento. A nova produção é uma das obras mais engraçadas do estúdio, com cenas de pura comédia e ironia.

Além do humor, o maior acerto da produção é o visual do mundo em miniatura do Homem-Formiga. A partir do momento em que Lang aciona pela primeira vez o traje, vemos sequências incríveis do herói em tamanho diminuto – se aventurando por tubulações, frestas, formigueiros, aspiradores de pó e até mesmo evitando ser pisoteado em uma discoteca!

As brincadeiras com relações de escala, aumentando ou diminuindo objetos do cenário, rendem as melhores cenas do longa-metragem, fazendo sempre o contraponto da ação com a comédia, da expectativa com a surpresa. O longa tira bastante proveito desse mecanismo, divertindo o público com ótimas piadas visuais até o último momento.

Invertendo a lógica, o Homem-Formiga consegue ser um filme diferente, possivelmente o menor do Universo da Marvel, mas seu tamanho apenas esconde seu talento. O longa prova que o estúdio não vive apenas da grandiosidade dos Vingadores e consegue produzir obras distintas e de estilo próprio.